quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Curso de Medicina do UNIFESO discute o programa "Mais Médicos" do Governo Federal.

As recentes medidas do Governo Federal que afetam os médicos no Brasil foram tema de mesa redonda realizada no dia 19 de setembro, promovida pela coordenação do curso de Medicina do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO) e o Diretório Acadêmico de Hamilton Almeida de Souza (DAHAS). O professor José Feres Abido Miranda, Pró-Reitor Acadêmico, começou a conversa expondo seu trabalho “Histórico da evolução do currículo médico no Brasil”. “A mudança curricular é uma medida discutida no mundo inteiro, da formação de profissionais como pessoas criticas e reflexivas. Hoje a questão não é só mais médicos, mas sim melhores médicos”, defendeu. Em seguida, o professor Carlos Romualdo Barbosa Gama falou sobre a Residência Médica no Brasil. 

Os estudantes foram representados pelo presidente do Diretório Acadêmico de Hamilton Almeida de Souza (DAHAS), Alex Ribeiro Ramos, que apresentou seu ponto de vista sobre o programa. “O problema não é a falta de médicos, a Organização Mundial de Saúde preconiza um médico para cada mil habitantes e temos no país média de 1,8, só que não são bem distribuídos e acabam por se concentrar na região Sul e Sudeste e capitais. Além disso, sem a infraestrutura adequada, aparelhos e medicamentos nos hospitais e saneamento básico para a população, por exemplo, o médico sozinho não tem como resolver o problema da saúde no país”, opinou o estudante, que periodicamente participa de diversos grupos de discussão e eventos da área médica. 

O professor Manoel Pombo, coordenador do curso de Medicina, criticou as medidas políticas adotadas pelo Governo Federal que “acabam por colocar nos municípios a responsabilidade direta pela assistência à saúde, sem criar mecanismos efetivos de financiamento e fiscalização do cumprimento desta importante necessidade da população. Resultado disso é um estado de calamidade na assistência à saúde, com falta de profissionais e equipamentos, enfim, uma completa falta de planejamento para o setor”. 

Opinião
Diante do descaso dos governos a voz das ruas surgiu e as pesquisas mostram a assistência à saúde como uma das carências mais graves que a nossa população apresenta. Como sempre o improviso aparece e de um dia para o outro surgem soluções mágicas dos incompetentes de plantão, dando conta que se alocarmos médicos com uma bolsa de três anos conseguiremos resolver nossos gravíssimos problemas de assistência à saúde. 

Claro que ninguém, ou quase ninguém, em sã consciência vai partir para uma aventura de três anos e deixar sua atual condição de vida, na maioria das vezes conseguida a duras penas, e partir para lugares diferentes, distantes e quase sempre sem nenhuma condição sequer de transferir ou encaminhar um paciente mais grave que necessite de atenção urgente ou um exame complementar, por vezes simples. 
Aí surgem mágicas: vamos validar diplomas de médicos formados em países onde a dificuldade de se entrar em curso médico é nenhuma, onde as escolas médicas não tem infraestrutura adequada para a formação de um médico, como se preconiza para as necessidades do Brasil, cursos com carga horária muito inferior à nossa, sem estrutura de laboratórios, sem hospitais-escola e completamente fora da realidade da assistência médica no Brasil. Assim validamos diplomas de formados não se sabe onde, nem por quem e muito menos em que condições. 

Criamos uma  casta da população que vai ter atendimento por profissionais que nem sabemos como foram formados e na maioria das vezes sequer sabem se fazer entender em português. Interesses que não podem ser explicitados movem estas atitudes. No meio disso a população brasileira como massa de manobra, sendo manipulada por gente inescrupulosa. E toda uma classe de profissionais, os médicos, por denunciar estas atitudes é colocada pela mídia, pelos políticos e pelo governo (executivo, legislativo e judiciário) como os “lobos maus”, é deplorável. 

Em consequência disso a coordenação do curso de Medicina juntamente com o diretório acadêmico resolveu realizar um debate sobre este momento crítico que vive a saúde e sobre como o povo vem sendo manipulado nesse assunto. Não temos a ilusão de que vamos resolver este problema, mas temos certeza de que fizemos a nossa parte. Não somos contra a vinda de médicos formados no exterior para o Brasil, afinal diversos de nossos médicos também estão atuando mundo afora, temos notícias de muitos de nossos egressos trabalhando nos EUA, Europa, Ásia e África. Porém, como nos países para os quais os nossos médicos vão, os que aqui chegam se submetam aos exames de revalidação dos seus diplomas. Nossas escolas médicas sofrem uma fiscalização permanente do MEC pela qualidade de sua formação, exigindo por muitas vezes critérios absurdos. 

E os que aqui chegam, quem fiscaliza a qualidade das escolas em que eles se formam?. 

Professor Manoel Pombo, coordenador do curso de Medicina do UNIFESO